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Quarta, 27 Fevereiro 2008 11:24

 

A oportunidade de “mergulhar de cabeça” em paisagens fantásticas
Associação Barcelense de Actividades Subaquáticas (ABAS) veio facilitar a pratica do mergulho.

A ABAS conseguiu “democratizar” a prática de um desporto que a maioria das pessoas julgava apenas acessível a alguns eleitos e muito caro. Nada disso. Com pouco dinheiro e algumas aulas pode desfrutar de paisagens submarinas fantásticas ...

Porto Santo - Madeirense - 2003

“Para desmistificar logo à partida a actividade de mergulho basta que lhe diga que para o fazer bastam uns óculos e um tubo. Este mergulho de apneia já permite ir até alguns metros de profundidade e ver paisagens de grande beleza em que o limite é o da sua capacidade de suster a respiração. Mas se a sua ambição é ir mais longe, ou mais profundo, tem na Associação Barcelense de Actividades Subaquáticas (ABAS) o excelente parceiro para o formar e acompanhar em próximas aventuras”. A ABAS, que existe há cerca de 14 anos, nasceu de um grupo de amigos que “gostavam da água” e de uma parceria que foi mantida durante algum tempo com os Bombeiros de Barcelos, como conta Carlos Dias, Vice-presidente da Associação: “Os primeiros elementos tiraram o curso com os bombeiros e tinham no quartel uma pequena sede e foram colaborando com os bombeiros em diversas actividades. Mais tarde, foi sentida a necessidade de se ter um espaço próprio e, há cerca de sete anos, mudaram-se para a actual sede no Centro Comercial Bolívar”.

José Costa, tesoureiro da ABAS, fala com entusiasmo dos mergulhos que tem feito e das histórias que ficam para contar. Iniciou-se no mergulho num passeio que fez aos Açores e ficou apaixonado: “Por força daquilo que vi senti-me tentado, e já com 40 anos, a procurar saber e conhecer um pouco mais”.

A ABAS tem um extenso programa ao longo do ano, com mergulhos que se estendem principalmente ao longo da costa Portuguesa e Espanhola. O Rio Cávado também é alvo de uma atenção especial, onde costumam fazer uma Caça ao Tesouro durante as Festas das Cruzes. Para este ano, estão previstos três “Open’s de Caça Submarina. Haverá ainda mergulhos em Vigo, Fão, ilhas Cies, Berlengas, Rias Bajas, Leixões, e no Natal, essa saudável loucura de irem mergulhar todos vestidos de Pai-Natal, em Vigo. O programa completo pode ser consultado no site da associação”: www.abas.pt.

Os responsáveis referem que não é preciso sair do país para se apreciar paisagens submarinas “lindíssimas” e que a “nossa costa é muito bela”. O principal problema prende-se com as condições do mar.

 

Mergulho ao alcance de todos

 

A ABAS, que tem actualmente quase 350 sócios, de vários concelhos da região norte, promove regularmente cursos de formação para mergulhadores dos níveis P1, 2 e 3, de suporte básico de vida, orientação e navegação subaquática. Desenvolvem actividades de mergulho com escafandro, de apneia, caça submarina, fotografia subaquática e, mais recentemente têm-se alargado a outras actividades não directamente relacionadas com a água para permitir aos sócios que não mergulham uma participação activa.

Para quem quer começar terá que ter uma boa condição física, mas “não precisa de ser um atleta”. A ABAS dá os cursos em colaboração com a escola de Mergulho do Norte. O curso inicial custa 375 euros, incluindo formação, material didáctico, seguros e equipamento. A parte teórica e ministrada na sede da ABAS e a prática decorre numa piscina no Porto com 5,5 metros de profundidade.

Com o curso P1 está habilitado a mergulhar, como mandam as regras, sempre acompanhado por outra pessoa. Aliás, a segurança é um factor que tem que estar sempre presente. A própria natureza do mergulho faz com que as pessoas estejam atentas a este aspecto, pelo que na história da associação nunca se registaram acidentes graves com os seus mergulhadores.

A ABAS aconselha os praticantes a adquirem o material mais pessoal como a máscara, o tubo e o fato. O restante equipamento, como o escafandro, poderá ser alugado no clube por dez euros por fim de semana. Isto, já com a garrafa cheia de ar, porque a ABAS adquiriu um compressor próprio para o enchimento das garrafas.

Com este tipo de equipamento, normalmente, os mergulhos efectuados podem ir até aos 40 metros de profundidade, mas a média andará pelos 20 metros. Aliás é até este patamar que as condições de luz são as melhores para se poder desfrutar das paisagens coloridas do fundo do mar.

 

Elementos da ABAS alertam para o estado do Cávado

 

Apesar de dizer que o estado do rio Cávado “já esteve bem pior”, José Costa, tesoureiro da ABAS, revela que ainda há muito que fazer a este nível.

Conhecedor do estado em que se encontra o fundo do rio, este mergulhador considera que a poluição industrial, apesar de continuar a existir, está num nível inferior ao de há anos atrás.

O principal reparo vai para o chamado lixo doméstico que continuam a encontrar no leito do curso de água, pelo que José Costa apela para o sentido cívico da população: “Tem que se formar uma consciência social para que as atitudes das pessoas possam melhorar. O rio Cávado precisa de ser cuidado e nós temos encontrado de tudo no fundo. Os próprios moradores da zona ribeirinha não têm essa consciência, mesmo sendo os principais prejudicados, já que moram junto ao rio”.

Também com preocupações ambientais, os elementos da ABAS realçam que as zonas mais poluídas são as que estão junto aos aglomerados populacionais, com principal destaque, pela negativa, para junto da ponte medieval, em Barcelos.

 

 

 

Entrevista a RADIO CAVADO, em 20 de Fevereiro de 2008.

 
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